23 de fevereiro de 2017

Cici & Rafa - A Estrada da Vida




“Eu sempre quis ser mãe”. Assim começou minha conversa com Cici, uma senhora elegante de cabelos ruivos, pele clara e olhos vivos que brilhavam e enchiam a sala de seu apartamento de emoção.

Cici nasceu no Rio de Janeiro e se mudou para São Paulo na década de 50 porque seu companheiro foi transferido a trabalho para a cidade. “Vivemos juntos por quinze anos, mas ele não queria ter filhos, então nos separamos”, conta. Desde jovem, Cici transita pelo universo da moda, sendo manequim e, posteriormente, proprietária de uma loja chique de roupas na capital paulista. “Depois da separação mantive minha rotina de trabalho e aguardei o tempo colocar tudo em seu lugar”.

No início dos anos 80 a medicina condenava a gravidez de mulheres acima dos 40 anos por conta dos riscos para a saúde da mãe e do bebê. “Tive alguns namoros, mas não pensava em engravidar e além do mais beirava os 41 anos”, diz Cici. “Pensei: Sabe de uma coisa? Eu vou adotar!”.  Ela falou com uma assistente social de Curitiba que a inscreveu no programa de adoção, só que o sistema era moroso. Por ser dona de comércio conhece muitas pessoas e contava para elas a vontade de adotar.

A história chegou até uma assistente social que era sogra de uma funcionária da loja. Um dia a senhora entrou em contato com a empresária e disse que uma moça que trabalhava num bar na beira da estrada ficou grávida de um caixeiro-viajante e não tinha condições de criar o bebê. “A senhora perguntou se eu gostaria de adotar a criança, mas ela nasceria dali uns quatro meses”.

Na época Cici tinha uma secretária que fez a ponte entre ela e a moça grávida. "Não quis conhecê-la, mas ofereci tudo de melhor. Ela deu a maior riqueza da minha história".

O pré-natal completo foi realizado no consultório do médico ginecologista e obstetra de Cici e foi ele quem escolheu a maternidade para o nascimento do bebê. “No início de abril de 1980 ligaram para minha secretária avisando que a menina estava em trabalho de parto”, recorda a mãe do coração. “Eu não acordei nada no papel. Tive confiança que o bebê seria entregue a mim logo após a alta, e assim foi feito. Sai do hospital carregando o Rafael nos braços”.  

O próximo capítulo reserva mais emoções. Separe o lencinho! ❤

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