3.7.11

Capítulo 18 - Minha Paz

“Posso jurar que puxei cada um dos meus ‘irmãos’. Quero apresentá-los a vocês, meus queridos leitores”. Avisei no capítulo 6 (Sem Sangue) que muitas apresentações estavam por vir aqui no blog e cá estou para apresentar mais um anjo que tenho todos os dias pertinho de mim.
Não sei como consegui explicar minha história até agora sem escrever um capítulo exclusivo da Dity, minha amiga desde quando cheguei ao prédio e mais do que irmã, minha super irmã! São quase 28 anos de amizade (completados daqui dois dias) e muito grude, carinho, cuidado e momentos inesquecíveis.

A adoção faz as pessoas serem mais intensas. É mistura de gratidão com vontade de amar, mas não apenas daquele que foi acolhido. Percebo que muita gente querida absorve o melhor de minha história e fica mais volúvel a simplesmente amar. A Dity é assim: aberta para o amor. Pessoa do bem, coração gigante.

Quando pequenas (ou melhor, quando crianças) vivíamos grudadas como carrapatos. Chegávamos da escola no mesmo horário e corríamos para o parquinho de casa onde ficávamos até nossas mães avisarem que o jantar estava pronto.

“Lú, vamos para casa”, minha mãe dizia depois de eu passar horas a fio brincando com a Ditonga (apelido carinhoso que dei para Dity). Pra que acabar com minha diversão? Abria o maior berreiro, como se não houvesse o amanhã. Não queria ficar longe de minha irmã, então por muitas vezes acabava dormindo na casa.

A Dity tem uma paciência de monge comigo. Sou um tanto quanto inconstantes nas minhas vontades e ela faz este defeito parecer algo engraçado. Montávamos toda casinha da Barbie para começar a brincar direitinho e eu, na maior cara dura, olhava para Dity e dizia que não queria mais porque estava com vontade de brincar de escolinha. E assim passamos nossas tardes, nossas férias, nossa infância... Brincando de montar e desmontar.

Como aceitar a dor de uma mãe, de uma avó, de uma família? Na noite em que recebemos a notícia de que minha tia havia partido fiquei perdida. Mesmo sendo nova consegui compreender o quanto aquele momento mudaria nossas vidas e fiquei triste, muito triste. E foi minha irmã que ficou comigo. Ficamos na casa de dona Minerva (“nossa” avó) enquanto acontecia toda despedida formal e a Dity conseguiu, naquele momento, diminuir minha dor.

A adolescência chegou e com ela novas descobertas. Fomos cúmplices nesta fase em que temos um mundão para desvendar. Aonde eu ia, ela ia. Aonde ela ia, eu ia. Festas, barzinhos, viagens, cinema, aniversários.

Vivíamos escrevendo cartinhas uma para outra durante as aulas no colégio ou quando viajávamos e ficávamos muitos dias longe. É uma lembrança gostosa que posso curtir quando bate saudade desta incrível época.

Muito bom completar 15 anos e comemorar na Disney, não é? Não! Não é! Sempre fui grudada com meus pais, só dormia fora de casa para ficar na casa da Dity e ganhar este presente não era meu maior sonho de debutante. Foi uma viagem legal porque curti a terra do Tio Sam com a Carol (minha amiga que merece um capítulo a parte também) e com Luana (Capítulo 14), mas como passaria meu aniversário longe da Ditonga? Chorei, chorei, chorei. E quando cheguei ao Brasil ela estava no aeroporto com seu sorrisão lindo e eu aliviada por voltar as minhas raízes.

Histórias e mais histórias. Este capítulo ficará enorme se eu escrever tudo que vivemos, por isso tenho que resumir os acontecimentos dos últimos 28 anos (rs). Fui cupido para Dity! Conheceu meu amigo do colégio e logo começaram a namorar, depois terminaram², depois voltaram²... e casaram! Fui madrinha do casamento e tentei segurar o choro durante a cerimônia, só que foi tentativa em vão e agradeço muito pela criação da maquiagem a prova d’água.

Recebi muitos presentes da Dity durante nossos 23 anos de amizade, mas nenhum é tão especial, incrível, único e maravilhoso como o que recebi no dia 23 de janeiro de 2006. Meu sobrinho Alan chegou a nossas vidas para trazer ainda mais alegria. Durante os dias que a Dity ficou na maternidade fiquei ao lado dela, cuidando e preservando seu bem-estar. Pedia para as pessoas lavarem as mãos antes de entrar no quarto, anotei todas as visitas (ela agradece até hoje porque disse que ficou aérea com tanta agitação), assistia com atenção ao programa televisivo da maternidade e repassava todos os novos conhecimentos anotados no papel.

Ela morou longe por um período, mas retornou ao doce lar, nosso prédio. Vivemos quase uma segunda infância aqui porque o Alan consome nossas energias com brincadeiras, atenção e dedicação. A dupla agora virou trio.

Preciso dizer que vira e mexe trocamos de mães. A Dity ainda era criança quando ligaram do colégio avisando que ela havia se machucado e estava no hospital. A mãe dela, tia Dolores, não teve condições emocionais para acompanhá-la, então minha mãe entrou em ação! Ficou do ladinho da Ditonga enquanto ela levava pontos na cabeça. É neste momento que percebo como a adoção modifica o ser humano. Minha mãe sempre foi fraca para hospitais, médicos, sangue e afins, mas naquela situação seu instinto maternal falou mais alto e ela foi uma fortaleza.

Eu também alugo a tia Dolores. Fiquei perto dela quando a Dity estava morando fora porque sabia a saudade que ela estava sentindo da filhota. Assistíamos novela juntas, tomávamos café e conversávamos como mãe e filha porque é isso que a tia Do é para mim, uma mãe do coração.

Agora quando chego em casa minha mãe e a tia Dolores estão tomando cafezinho da tarde, logo chega a Dity com o Alanzinho e vira uma festa! A constante festa que começou em 1983.

O nome de minha irmã é Ingryd e seu significado é Princesa da Paz. Com certeza, minha paz.


No verão, no inverno. Na infância, na adolescência.



Lú e Dity... Agora e sempre!
 
   

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