30.6.11

Capítulo 17 - É você, só você

Eu escolhi...

Abrir a porta do elevador e encontrá-lo de cabelos molhados no auge do inverno preparado para pegar a moto e tomar friagem. E lá se foi meu sossego.

Cuidar de você enquanto esperava sua mãe chegar para levá-lo ao hospital depois de abrir o joelho numa inocente brincadeira de infância: pega-pega. E lá se foi minha tranquilidade.

Ligar para tentar acordá-lo para você não perder compromisso. Não conseguir tirá-lo da cama e ter que invadir seu quarto para arrastá-lo para vida que te espera lá fora, sempre cheia de mistérios e magníficas surpresas. E lá se foram meus minutos de descanso.

Correr pelas escadas para esconder as peraltices da adolescência. Jogar hóquei na garagem. Aceitar as desculpas mais esfarrapadas pelas inúmeras artes (desde uns tabefes enquanto andava de bike até ter o rabo de lagartixa jogado por dentro da blusa). Descer como uma pamonha pela rampa... de patins! Passear pelas ruas do bairro de bicicleta nos fins de semana. Lutar por legítimos alfajores argentinos. Conversar sobre nossos times e concluir que você tem uma queda pelo Corinthians. Apreciar sua maneira de amar e respeitar as pessoas. Passar tardes de bobeira deitados na cama assistindo televisão e comendo pipoca. Colar as lições de casa da aula de inglês (que rezávamos para sempre ser cancelada). Contar meus segredos mais íntimos apenas para você. Apelidá-lo de “mi amor” e também chamá-lo de “boludo”. Achar gracioso seu jeito carinhoso de viver. Ajudá-lo a construir seu porto seguro profissional. Enxugar suas lágrimas, festejar suas conquistas, sorrir com sua alegria e cuidá-lo com todo apreço. E assim fiz minha história... Com você ao meu lado porque eu escolhi ser sua irmã. De alma, de coração.

Este capítulo é dedicado ao meu irmão caçula, Martin. E bato uma aposta que ele leu este texto com lágrimas nos olhos. Certo, mi amor? :)


Amor em miniatura

 

 
Lú & Má

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