14.3.11

Capítulo 16 - Simplesmente demais

Estudei com o Ronaldo durante todo ginásio e colegial. A primeira vez que bati os olhos nesse mocinho de sorriso contagiante e educação admirável sabia que seria amiga dele para sempre.

Não tenho palavras para definir o Rôzinho. É um rapaz gentil e determinado, não deixa nada para amanhã. É o tipo de pessoa que faz bem ter por perto, mesmo se for para ficar em silêncio.

Ele é meu amigo de fé, meu irmão camarada. Vivíamos grudados no colégio e até tentava seguir o jeitão estudioso dele, mas meu negócio sempre foi fazer social com a galera da escola inteira. Levava inúmeras broncas do Rô quando tirava notas baixas e ficava de recuperação, mas mesmo assim ele sempre me amou... Ganhei um irmão melhor do que a encomenda.

Em alguma tarde na casa do Rô, durante algum recreio animado no colégio, em alguma festinha do pessoal da classe, em qualquer excursão com a turma fiz uma confissão que deixou o Ronaldo embasbacado.

- Sou adotada – falei com naturalidade

- Tá bom, Lú – respondeu o Ronaldo com ar debochado

- Rô, é verdade, eu sou adotada – retruquei rindo

- Maria, como você é adotada? É a cara da sua mãe! Tem a voz igualzinha a dela! – questionou Ronaldo incrédulo

E foi assim que ele soube que nasci do coração...

Durante alguns meses ele olhava para minha cara todos os dias e dizia que não sou adotada porque sou igual minha mãe, tenho o jeito do meu pai, bláblábláblá. Para terminar de vez com a dúvida que angustiava o Rôzinho decidi colocá-lo frente a frente com minha mãe para ele escutar da boca dela que sou nascida do coração. Ele ficou sem jeito porque pensou que fosse um assunto polêmico, mas sempre tratamos com tanta naturalidade que minha mãe achou engraçado ele não acreditar na minha palavra e confirmou: “A Luiza nasceu do meu coração”.

Ah, tadinho do Ronaldo... Tenho para mim que até hoje ele não acredita nessa história. É óbvio que nossa amizade não mudou depois dessa confissão, mas que ele ficou alguns dias me olhando com cara perplexa, isso ele ficou.

Bom, sei que criamos um vínculo fortíssimo! Entrei na faculdade aos 17 anos de idade e tudo parecia legal na semana do trote, depois foi um Deus nos acuda. Entrava na sala e procurava pelo Rôzinho, passava os intervalos quase chorando de saudade dele e demorou a me acostumar com a ausência do meu “amirmão”.

A vida de adulto faz com que nos vejamos com menos frequência e não gosto de ficar longe do Rô, só que não tenho opção. Quando a saudade bate forte abro minha caixa de lembranças que guardo de meus amigos e vejo todos os bilhetes, cartas e desenhos que o Rôzinho fez para mim e recordo como é bom ter um irmão de alma e coração.



A vida fica boa com ele por perto


2 comentários:

felipemofa disse...

é verdade ... confirmo !!! rsss

beijo pros 2 do MOFA

RonaldoCF disse...

Lu,
Já havia lido este capitulo uma vez e naquele dia fiquei com o mesmo nó na garganta que tive e os mesmos pensamentos que passam agora por minha cabeça. Naquele dia pensei em várias coisas, mas não tinha tempo de responder a altura, coisa que nem agora vou conseguir fazer, mas algumas coisas que valem complementar neste post...
A primeira delas é com é ruim a sensação de que passamos muitos momentos bons juntos, mas infelizmente eles não vão poder mais se repetir, pelo menos não daquela forma, com aquela despretensão, não com aquela despreocupação, não com aquela mesma entrega pura sem ter o que querer de volta além de um grande abraço e uma palavra de conforto como: “Estou contigo mano” Pena que o curso normal da vida às vezes nos leva, mesmo que a deriva, para extremos diferentes da margem deste riozão.... Ainda bem que hoje em dia tem esses trecos que pelo menos ajudam a nos sentirmos um pouco mais próximos e poder participar nem que seja como leitor da vida das pessoas queridas...
Tirando essa reflexão de lado, vale comentar a sua habilidade de fazer parte de minha vida, mesmo que a distancia. Coisa de irmão mesmo, já que você é Nascida do Coração, seus irmãos não poderiam ser diferentes a não ser DO CORAÇÃO e.... haja coração viu! Todos meus cadernos, livros, agendas entre outros materiais foram premiados com recadinhos carinhosos seus...e quando não eram recados tinha sua marca registrada “apesar de ridícula” de adoração para o tiozinho John Bom Jovi... Na época isso me tirava do sério, assim como também me tirava do sério a forma que você julgava as meninas que eu conhecia..... Mas sabe o que??? isso é coisa de irmã mesmo, vai ser sempre assim, não tem como eu dês-amar você, mesmo você não sendo de sangue, parece que ser de coração turbinou a intensidade. Não importa em que país eu esteja ou com quem eu esteja, sei que você está me desejando o melhor e por saber disso, sempre corro atrás de emitir as mesmas vibrações pra ti... o bom é saber que não importa quanto tempo, ou a qual distancia ficamos, quando nos vemos e nos falamos é como se tivéssemos desligado o telefone no dia anterior. Bjs te amo mana