30.10.10

Capítulo 14 - Fogo e Água

A adoção tem o poder de unir pessoas que parecem feitas uma para a outra, mas que talvez nunca fossem se conhecer pelos métodos tradicionais da maternidade.

Amigas desde os tempos do colégio. Irmãs desde que Deus escreveu nossas histórias. Somos unha e carne e contamos uma com a outra para tudo, assim como está escrito no dicionário da Língua Portuguesa Michaelis.

Irmão
sm (lat germanu) Amigo inseparável

Luana tem olhos de jabuticaba, é uma típica ariana, tem mania de levantar os dedos dos pés quando estão no chão, adora chocolate, tem sardinhas no rosto e telefona apenas para perguntar o que eu almocei.

Eu que vós falo tenho cabelos lisos, sou canceriana de corpo e alma, gosto de arroz e feijão, adoro fazer artesanato e telefono para conversar sobre a novela.

Poucas semelhanças, mas tão completas juntas. Assim sou eu, assim é Luana, assim somos nós, irmãs do coração. Leiam o texto dela comentando sobre adoção, mas não estranhem, ela tem alma de advogada.

“A pouco mais de uma semana assisti um programa cujo tema automaticamente me fez lembrar de você, minha amiga do coração. Adoção, mais de 60 minutos discutindo os inúmeros benefícios e possíveis desvantagens de se adotar alguém.

Partindo do principio de que tudo e qualquer que venha do coração vêm da melhor parte de nós e é do BEM. Festejo os adotantes.

Falou-se muito da tal “procedência” desse neném, dessa criança, como saber quem ele é, seus traços físicos, psíquicos, traumas. Vou criar, levar para dentro da minha casa um estranho, questões levantadas de maneira bastante íntima e sutil.

Passada essa hora, fim do programa, pensei em mim. Nada tenho do meu pai, pouco me considero parecida com a minha mãe e meus dois irmãos. Esses parecem vindos de outro mundo que não o meu. Todos são filhos do mesmo pai, da mesma mãe e habitantes da mesma barriga por longos nove meses.

A verdade é que toda relação entre pessoas, através do amor ou não, acaba gerando outras pessoas: felizes, outras não tanto, saudáveis, frágeis, com opções diferenciadas e, por mais forte que pareça ser a genética, a tão inquestionável ciência, toda família (estendo para toda convivência continuada de mais de uma pessoa) tem um parente próximo ou distante de caráter duvidoso, um bonitão, na sua maioria ordinários, uns ricos, uns pobres, um homossexual assumido e alguns enrustido, algum tio que bebe demais e uma prima que “dá” demais.

É nessa diversidade que nasce um filho do marido aparentemente conhecido, gerado numa mãe aparentemente bacana ou um filho nascido “pronto”, de pais desconhecidos e essa tal diversidade que liberta, que habilita quem realmente viver a plenitude de ser pai de um ser que vai vir como der... como vier”. (Luana Graziano)


Ariana Luana e canceriana Malu

1 comentários:

karininhaguerrero disse...

Amei o texto, essa a Luana, com alma de advogada...!!!E a Malu uma pessoa mto querida....