28.3.10

Capítulo 5 - Guima's

Bolo, brigadeiros e bexigas decoravam minha casa na tarde de meu primeiro aniversário. Vestido de casinha de abelha, sapatinhos envernizados e presilha nos cabelinhos finos e dourados. Meu look foi escolhido por minha mãe com toda formosura para receber os convidados.

Filha única e super paparicada por toda a família = Muitos e muitos presentes.

Os embrulhos não paravam de chegar com meus parentes e amiguinhos, mas foi na maternidade que recebi meu melhor presente de aniversário. Nascia no mesmo dia em que completava um ano de vida minha prima caçula, Bel. Destino? Coincidência? Acaso? Não posso negar que ainda me pego pensando os motivos por ela ter nascido um ano após minha chegada. Tantos dias do ano, e a pequenina deu o ar da graça em 05 de julho.

Amo essa menina de tal maneira que não consigo expressar com palavras. Tudo o que faltou na forma ano 83, Deus colocou na forma ano 84. Outro fato que não comentei antes é que foi através da avó paterna de Belzinha que meus pais chegaram a enfermeira de Santa Catarina.

"O coração tem razões que a própria razão desconhece"  Blaise Pascal
As irmãs dela costumam dizer que Belzinha é minha favorita, mas não é verdade. Existe uma ligação forte entre nós duas, não há como negar, mas carrego boas lembranças de momentos vividos com meus dez primos. Nunca disse para eles o quanto são importantes para mim e responsáveis pelas deliciosas lembranças de minha infância. Agora é a hora? Então vamos lá.

Quando criança eu ficava tão feliz de encontrá-los que chegava a ficar doente. Tinha febre de emoção e contava os segundos para vê-los. Juntar todos os primos era sinônimo de diversão garantida, mas para mim era mais, muito mais. O amor mais verdadeiro eu sentia quando estávamos reunidos, fosse brincando de argila, roubando pastéis de Belém feitos por vovó Lena, assistindo jogos do Corinthians x São Paulo, vestindo fantasias de palhaço, experimentando comida de astronauta, observando estrela do mar, fazendo careta para o bacalhau no Natal, ensaiando o "show" de fim de ano, obedecendo os primos mais velhos, chorando pela caixa de chiclete não dividida comigo, falando incansavelmente "Não precisa", levando ponto falso depois de passar de uma janela para a outra (3º andar/sem grade), dormindo todos juntos nas casas de meus tios em colchões espalhados na sala, assistindo as apresentações de sapateado, sendo atacada pelos mosquitos de Iporanga, jogando Mário Bros no video-game deles, grudando chiclete nos meus ouvidos para mergulhar, comentando sobre "guardanapo" e "Papai Noel" no almoço natalino, tendo aulas particulares, compartilhando um caderno com uma louca história...

Sei que sou felizarda por ser membro desta família. Hoje não tenho febre quando vou encontrar meus primos, mas gostaria que eles soubessem que minha felicidade de tê-los comigo ainda é imensa e eterna. Este é mais um trecho de minha história.





A turminha quase completa
  
P.S.: Bel, veja o número deste capítulo! Agora que percebi e decidi colocar esta observação. Pasmei, prymmah. :0)

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